Despesas de quem viaja sobem acima da inflação geral
18/08/2026 às 18:00
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Viajar está ficando mais caro este ano. Os produtos e serviços relacionados ao turismo iniciaram o segundo semestre com inflação acima do índice geral de preços. Em julho, a Cesta de Consumo do Turismo registrou alta de 1,13% em Curitiba e Região Metropolitana, na contramão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) regional, que apresentou deflação de 0,21% no mês.

A Cesta de Consumo do Turismo é um indicador elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), que reúne os principais produtos e serviços relacionados à atividade turística.

O movimento nacional no mês de julho também foi de alta nos preços, com inflação de 1,25% na cesta do turismo, enquanto o IPCA geral brasileiro variou apenas 0,07% no mês.

Segundo o assessor econômico da Feocmércio PR, Lucas Dezordi, a alta de julho também está relacionada ao comportamento sazonal do setor. “Com as férias escolares, cresce a procura por passagens, hospedagem, transporte e atividades de lazer, o que aumenta a demanda justamente sobre serviços que já vêm apresentando maior pressão inflacionária. Esse movimento contribui para que os preços ligados ao turismo avancem em ritmo superior ao IPCA geral neste período”, explica. 

Passagens aéreas puxam alta em julho

Entre os itens relacionados ao turismo, as passagens aéreas foram as que mais subiram de preço em Curitiba e Região Metropolitana no mês de julho, com alta de 6,76%. Na sequência aparecem estacionamento, com aumento de 3,81%, e hospedagem, com 2,94%.

No cenário nacional, as passagens aéreas também lideraram os reajustes e tiveram uma elevação ainda mais expressiva, de 11,67%. O vinho ficou 2,24% mais caro, seguido pelo pedágio (+1,92%) e pelo transporte por aplicativo (+1,87%).

Nem todos os gastos associados às viagens, aumentaram. Os pacotes turísticos ficaram 4,36% mais baratos em Curitiba e Região Metropolitana em julho. Também houve redução nos preços de refrigerante e água mineral (-1,56%) e, ainda que leve, do sorvete (-0,02%).

No Brasil, o aluguel de veículos apresentou a maior queda no mês, de 3,62%. Os pacotes turísticos recuaram 1,95% e os preços das casas noturnas diminuíram 1,76%.

Serviços mantêm pressão sobre a cesta

Segundo Dezordi, o comportamento de agosto de 2025 a julho de 2026 mostra que a inflação do turismo permanece em um patamar elevado mesmo em um momento de desaceleração do índice geral de preços. “Enquanto o IPCA de Curitiba e Região Metropolitana está em 3,05% nos últimos 12 meses, a Cesta do Turismo chega a 8,35%, uma diferença de 5,30 pontos percentuais”, ressalta.

No Brasil, a distância também é significativa. A inflação do turismo acumula 7,93% em 12 meses, enquanto o IPCA geral está em 4,44%.

Para o economista, a composição da cesta ajuda a explicar essa diferença. “Como o turismo envolve principalmente serviços, a exemplo de transporte, hospedagem e atividades de lazer, seus preços respondem a uma dinâmica diferente daquela observada em outros componentes da inflação. Com os serviços ainda pressionados, os gastos associados ao turismo iniciam o segundo semestre avançando em ritmo superior ao nível geral de preços, tanto em Curitiba e Região Metropolitana quanto no país”, avalia. 
ACESSE O BOLETIM
com assessoria de Imprensa Karla Santin – fecomerciopr.com.br 

Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio