
O cinema, das Américas à Europa, vez ou outra e quase sempre está levando a literatura de Alexandre Dumas às telas. Agora chegou a vez de um clássico dos clássicos, O Conde de Monte Cristo, do Dumas pai, que já foi muito roteirizado antes. Por que sua volta? Talvez porque, assim como em Shakespeare, os personagens são universais, falando bem perto ao coração e mente dos leitores. E, em tempos de ódio explícito e global, é de bom tom estarmos atentos ao outro lado, ou seja, o amor, a conviência pacífica e o perdão.
Romance de aventura, publicado na França como folhetim de 1844 a 1846, O Conde de Monte Cristo tem um tema central que conduz toda a obra, a vingança e, em segundo plano, a inveja. Com três horas de duração, a versão que chega nesta quinta-feira dia 5 aos cinemas é totalmente francesa, talvez o que explica se arrastar desnecessariamente. Ao sair da sala, me perguntaram o que achei do filme, respondi “longo e sentimental”. (Aliás, em tempo de séries, parece que filmes longos virou chamariz de público).
O melodrama é longo, mas segura o público na poltrona e até faz esquecer a pipoca. Contudo, em alguns momentos faz devanear: como 200 anos atrás era possível fazer máscaras tão perfeitas? E foi assim, usando máscaras perfeitas, que Edmond Dantès se esconde na figura de um nobre bilionário para concretizar seus planos vingativos.

Edmond Dantès (muito convincente na performance de Pierre Niney) é um marinheiro que, na versão dos roteiristas e diretores, salva uma náufraga que carregava uma carta de Napoleão Bonaparte, então exilado na Ilha de Elba. (As cenas iniciais já são dignas de um épico, devido ao cenário e à ação).
Essa carta levará Dantès a ser preso diante do altar, prestes a se casar com a amada Mercedes (Anaïs Demoustier). A acusação de traição é reafirmada pelo invejoso primo Fernand Mondego. Condenado à prisão perpétua numa ilha, é salvo do calabouço por um abade que lhe revela o esconderio de um tesouro dos templários, outra inovação do roteiro. Aqui um reparo ao corte de edição: nosso heroi atravessa o mar a nado e logo estará nos jardins de Mercedes. Mas para chegar à Ilha de Monte Cristo, onde está o tesouro, foi de barco, claro.
Cheio de ódio porque Mercedes casou-se com o primo traidor, começa a planejar e depois por em prática sua vingança contra todos seus algozes.
E assim o filme navega para representar a França na corrida pelo Oscar.
Os diretores e roteiristas são Alexandre de la Patellière e Matthieu Delaporte, com uma boa equipe de figurino e direção de arte.