Obra do planetário em Pinhais entra em nova fase prestes a receber tecnologia alemã de última geração
03/09/2026 às 21:06
Obras do novo planetário. Fotos: Silvio Turra
Com 30% da construção concluída, espaço do Parque da Ciência Newton Freire Maia se prepara para receber, no próximo mês, o sistema de projeção que será instalado na cúpula de 18 metros

As obras do novo planetário do Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, chegaram a 30% de execução e entram agora em uma nova etapa. Com a estrutura avançando para o fechamento, o espaço se prepara para receber, em cerca de 40 dias, o sistema de projeção de última geração que virá da Alemanha.
Os equipamentos são fornecidos pela empresa alemã ZEISS Planetariums, pioneira no desenvolvimento de sistemas para planetários e referência mundial no setor. A obra do novo planetário representa um investimento de aproximadamente R$ 46,5 milhões, valor que não inclui o sistema de projeção, adquirido por € 5,16 milhões (cerca de R$ 31 milhões). O conjunto deve chegar ao Paraná entre o fim de setembro e o início de outubro, com instalação prevista para começar na sequência. 
“Estamos construindo um espaço que vai aproximar ainda mais os nossos estudantes da ciência, de uma maneira diferente, moderna e envolvente. O planetário será um grande equipamento educacional, que vai permitir transformar conteúdos que muitas vezes parecem distantes em experiências que os alunos poderão vivenciar”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
A obra é executada sob responsabilidade do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar). Para a diretora-presidente do Instituto, Eliane Teruel Carmona, o avanço da construção marca uma etapa importante do projeto. “É uma obra de grande porte e com características construtivas muito particulares. Estamos avançando na estrutura para preparar o espaço que receberá toda essa tecnologia, conciliando a execução da obra com as exigências específicas da instalação dos equipamentos”, ressalta.

TECNOLOGIA - O planetário terá uma cúpula de 18 metros de diâmetro e 508 metros quadrados de superfície de projeção, equipada com o sistema híbrido Asterion Premium + VELVET LED. A solução combina um projetor óptico-mecânico central com 11 projetores digitais distribuídos ao redor da cúpula.
O Asterion Premium é capaz de simular cerca de 9 mil estrelas observáveis a olho nu em condições ideais de céu, reproduzindo cores e brilhos, além da Via Láctea, Lua, planetas e diferentes movimentos e referências astronômicas. Já os 11 projetores VELVET LED permitirão exibir uma única imagem em formato fulldome, cobrindo toda a cúpula e possibilitando o uso de animações, vídeos e conteúdos de diferentes áreas do conhecimento.
“Os planetários são máquinas do tempo e um espaço onde a nossa imaginação flui livre. A gente pode viajar pelo Universo e mostrar aquilo que já entendemos e também as principais questões que ainda desafiam a nossa compreensão, desde as questões mais básicas da astronomia até a origem e a evolução do universo”, explica o diretor do Parque da Ciência Newton Freire Maia, Anísio Lasievicz.
Para os estudantes da rede estadual, a estrutura permitirá observar planetas e outros corpos celestes, simular fenômenos astronômicos e ter contato com conteúdos científicos em uma experiência imersiva. Segundo Lasievicz, o espaço também pretende fomentar o interesse pela ciência.
“A ideia é estimular nossos estudantes a seguirem carreiras científicas, como engenheiros, físicos, matemáticos, historiadores e biólogos, e contribuir para essa evolução científica e tecnológica que é importante para o Brasil”, diz.

NOVA ETAPA DA OBRA - A construção começou no início de 2026, após a conclusão da licitação no fim de 2025. Depois dos trabalhos de terraplanagem e fundações, a obra avança agora na montagem da estrutura e da cobertura, etapa que permitirá acelerar os serviços internos.
Um dos diferenciais arquitetônicos é o uso de madeira engenheirada. Com quase 5 mil metros quadrados de edificação, a estrutura deve estar entre as maiores do gênero no Brasil, segundo levantamento realizado pela direção do Parque da Ciência. O projeto também incorpora soluções de sustentabilidade, como geração de energia fotovoltaica e captação de água da chuva.
A conclusão da área da cúpula é uma das prioridades para permitir a montagem do sistema de projeção. A instalação exigirá trabalho coordenado entre a equipe da ZEISS e a construtora, enquanto os demais serviços da obra continuam avançando.
A estimativa do Fundepar é de conclusão da obra no início de dezembro. O cronograma, porém, está condicionado à chegada dos equipamentos da Alemanha e aos procedimentos de desembaraço da importação.



ENSINO E PESQUISA - Além da cúpula de projeção imersiva, o planetário terá auditório, salas expositivas, laboratórios, ambientes pedagógicos e administrativos, áreas de apoio e serviços ao visitante. O projeto contempla ainda novos telescópios para atividades de observação do céu e experimentos interativos, entre eles um pêndulo de Foucault, que demonstra o movimento de rotação da Terra.
A estrutura também terá atuação voltada à formação de professores, ao ensino superior e à pesquisa. O espaço poderá receber acadêmicos e pesquisadores interessados em astronomia e áreas relacionadas, além de apoiar atividades de iniciação científica e a formação de estudantes de licenciatura.
“Queremos trabalhar fortemente com os professores do Paraná, com formação continuada em astronomia. No ensino superior, teremos não só a pesquisa astronômica, mas também o preparo dos estudantes das licenciaturas que vão abordar esses conhecimentos com seus futuros alunos”, acrescenta Lasievicz.
O projeto integra a modernização do Parque da Ciência Newton Freire Maia e reúne esforços da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Fundepar, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e do Fundo Paraná.


Fotos: Silvio Turra
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio